Ned Scott I Niilismo da beleza
Apresento para vocês uma série de imagens feitas por um fotógrafo de estúdio em Hollywood chamado Ned Scott para ilustrar ou para figurar um texto que eu vou ler para vocês de Giorgio Agamben e que trata especificamente da ideia de beleza e ele me parece um texto bastante interessante
O fotógrafo William Klein (1926-2022) produziu imagens verdadeiramente icônicas. Isso passa pela infância, pela moda muito particularmente, mas nesse vídeo eu quero apresentar para vocês uma parte das imagens que ele produziu, que se refere à captura de grandes peças publicitárias, outdoors particularmente, mas também placas, e que indicam, figuram, um conceito do filósofo alemão Walter Benjamin.
🎥 Feitiço
A mim parece que a gente nunca foi (propriamente moderno no sentido de uma racionalização extrema, radical da vida. Essa impressão aparece muito claramente na obra de Bruno Latour. Mas aqui a gente não está interessado exatamente em filosofia, mas sim em evidências de que essa separação radical entre sonho e realidade, entre fantasia e verdade, nunca está exatamente bem estabelecida entre nós.
Existe um mistério recorrente na fotografia de Manuel Álvarez Bravo (1902–2002), que realmente chama a atenção. Ao olhar para suas imagens, não encontramos paisagens fantásticas ou eventos extraordinários. O que vemos são muros, manequins em vitrines, a sombra de um transeunte, um homem descansando sob o sol. Vídeo YouTube
Na vasta produção da Fotografia Humanista Francesa do pós-guerra, a obra de Sabine Weiss (1924–2021) destaca-se por um rigor formal que jamais sufocou a espontaneidade do acontecimento. Lidas no contexto do século XXI, suas imagens deixam de ser mero documento nostálgico para converterem-se em um anacronismo crítico: um espelho anacrônico que desnuda, por contraste, a crise do espaço público e a domesticação da infância no mundo contemporâneo. YouTube: https://youtu.be/CY695MPeB2g
As séries Mannequin Factory (década de 1950) e In the Camps (1993–1994), de Erich Hartmann, embora separadas por décadas e temas aparentemente díspares, revelam uma notável unidade metodológica e poética. Ambas as coleções operam a partir de uma arqueologia visual que dispensa a presença humana direta para investigar, em vez disso, as estruturas, a repetição e a materialidade que ancoram a memória e a alienação na modernidade.
Em Paris, 1967, o fotógrafo Joel Meyerowitz registra uma cena que antecipa uma das marcas mais persistentes da modernidade tardia: a total submissão aos imperativos da produção e da velocidade.
No centro da composição, um homem caído na calçada, de braços abertos, em uma postura de vulnerabilidade absoluta. À sua volta, contudo, a engrenagem urbana não desacelera.
🎥 Jim Dow
Nascido em Boston (1942), o fotógrafo norte-americano Jim Dow é reconhecido pela documentação minuciosa da arquitetura vernacular e da cultura popular das estradas e cidades americanas. Influenciado por Walker Evans, ele utiliza câmeras de grande formato (8x10) para capturar estádios de beisebol, lanchonetes, barbearias e fachadas decadentes em cores ricas e detalhes impecáveis
É certo que tudo tem que desaparecer. Todas as tentativas de lutar contra a morte, o desaparecimento, são em vão. Tudo que essa pessoa soube, suas histórias, seus livros favoritos, suas coleções...
A fotógrafa morreu ainda jovem e por suicídio (1958-1981). Esse fato contaminou por muito tempo a recepção de sua fotografia. Houve quem a lesse a partir de uma espécie de “genialidade juvenil”, quem enxergasse por todos os lados seu drama psíquico etc.
As imagens produzidas pela fotógrafa transitam de modo imediato pela tradição ameríndia e nos apresenta um mundo no qual as fraturas entre os reinos (mineral, vegetal e animal, humano e não-humano) estão completamente borradas. Essa compreensão foi amplatamente teorizada pelo antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro.
Ao longo de quase três décadas de trabalho fotográfico, Eugene de Salignac acumulou uma coleção colossal de cerca de 20.000 fotografias, predominantemente de natureza técnica, que retratam as obras de construção e manutenção supervisionadas por seu departamento.
Pensando no meu feed do instagram, onde aparece de tudo um pouco; algumas coisas mais assustadoras do que outras, é verdade.
Bizarrice, gritaria, cards que laçam os olhos a base de golpes de MMA. Uns poucos amigos também, é fato, dando notícias de suas vidas, filhos, filhas, esposas, a última viagem, ou a que resta fazer...
O dispositivo fotográfico do início do século XX costuma ser lido sob a lógica do progresso técnico. No entanto, a obra de Eugène Atget subverte essa cronologia linear. Suas imagens de uma Paris deserta revelam uma ontologia visual que fratura a centralidade do humano.
Edward Weston (1886-1958) é um dos mais importantes fotógrafos estadunidenses da primeira metade do século XX. Sua fotografia tem por fundamento, inicialmente, a entrega incondicional ao modo de ver do próprio dispositivo fotográfico, sem que se acrescente à foto um pensamento ou intenção estética do fotógrafo.
Recentemente tenho visto muita gente reclamando de redes sociais, com certo destaque para o Instagram, que ao longo do tempo ganhou importância expressiva no ecossistema da Meta. Para tratar desse tema é necessário delimitar adequadamente o problema, que se formulado em termos mais gerais, é muito complexo, porque implica realidades que ainda são muito recentes.
A fotografia documental da Farm Security Administration (FSA) durante a Grande Depressão carrega uma promessa de neutralidade. A estética de Dorothea Lange, contrtada da agência governamental, opera nesses termos um esvaziamento da história real.
As fotografias de Diane Arbus (1923-1971) não pedem permissão; elas instauram uma crise. Mais de meio século depois, suas imagens de gigantes, nudistas e crianças sombrias ainda provocam incômodo.
Cindy Sherman (Glen Ridge, Nova Jersey, 1954) é uma das fotógrafas e artistas visuais mais influentes da arte contemporânea, pioneira na transição para o pós-modernismo e figura central da chamada Pictures Generation.
A fotografia de Bill Brandt não registra corpos; ela os desterritorializa. Nas suas célebres imagens de nu, a anatomia humana é destituída de suas funções biológicas, utilitárias ou eróticas, sendo lançada em um fluxo de pura intensidade plástica.
Os manequins sempre me pareceram um assunto imediatamente fotográfico, pelo simples fato de que, com a sua presença, simulam a vida.
A materialidade — resinas plásticas, louça, madeira, tecido etc. — faz com que os manequins se ponham como uma fantasmagoria visto que, pela forma, insinuam o corpo humano.
Na análise de O Eclipse (Antonioni,1962) feita no vídeo abaixo, testamos a possibilidade de ler o filme como uma crítica do tardo-capitalismo.
Walter Benjamin já havia feito o diagnóstico ainda em princípios do século XX, ou seja, escrita e leitura passavam por uma mutação com o advento da metrópole capitalista e da publicidade.
No fluxo entorpecente do scroll infinito, a experiência da leitura não está apenas mudando; ela foi sequestrada pela lógica da navegação. Estamos testemunhando uma mutação radical, onde o ato de ler deixou de ser um mergulho na subjetividade para se tornar uma reação condicionada a estímulos visuais.