Francesca Woodman (1958-1981) morreu ainda jovem e por suicídio. Esse fato contaminou por muito tempo a recepção de sua fotografia.
Houve quem a lesse a partir de uma espécie de “genialidade juvenil”, quem enxergasse por todos os lados seu drama psíquico etc.
Mais recentemente se atribuiu a sua obra o imenso valor que tem, inicialmente com grande destaque para o tema da objetificação do corpo feminino.
Isso por si mesmo não é pouco, mas existem outros aspectos igualmente relevantes a se considerar, como o desfazimento das fronteiras entre os reinos mineral, vegetal e animal.
Em Woodman, a matéria parece não respeitar em absoluto as divisões que estabelecemos racionalmente, e transita entre diferentes estados fazendo variar e ruir também os corpos humanos.
Dê certo modo, em sua fotografia o corpo humano “afunda” no plano de fundo, como que se fundindo a ele.
Há, ainda, uma espectralidade sempre posta, criando uma espécie de indiscernibilidade entre o vivo e o morto, o que remete ao tema imenso da impermanência e da morte.
Tema, por sinal, do qual nosso tempo foge de todos modos e formas.