SIGA O FLUXO I O Eclipse

Na análise de O Eclipse  (Antonioni,1962) feita no vídeo abaixo, testamos a possibilidade de ler o filme como uma crítica do tardo-capitalismo.

Vale lembrar que na década de 1960 a Itália passava por um boom econômico, que chegou a ter taxas de crescimento semelhantes à do Japão (coisa da ordem de 7% ao ano).

Esse crescimento econômico, como é habitual,  produziu fenômenos especulativos, particularmente em mercados como o de ações — como se apresenta no próprio filme.

Além disso, houve também um significativo crescimento imobiliário em Roma, do qual o bairro de EUR, onde vive a personagem Vittoria, é exemplo bastante significativo.


Por fim, apresentamos também a tese de que a leitura de Antonioni sobre essa sociedade é feita a partir de uma compreensão de sua dinâmica imunitária.


O tema imunitário é fundamental ao filme, porque demonstra que o arrrajo social que predomina na sociedade de O Eclipse é de extração biopolítica.

Está em questão, portanto, um controle sobre a vida que deseja absolutizar-se, evitando a qualquer preço possibilidades de contaminação e contágio e, portanto, de transformação, mesmo no plano molecular.