CARDS CLICÁVEIS
Uma das últimas mutações que o modo capitalista de produção sofreu foi o desenvolvimento de algo que muitos vêm chamando de economia da atenção.
De certa forma, essa mutação já estava amplamente prevista no ativismo de Guy Debord e na filosofia de Jean Baudrillard, isso mais pela abordagem direta, do que pela preocupação — que também atravessou as filosofias de Walter Benjamin, Deleuze & Guattari, Michel Foucault, Giorgio Agamben etc.
Do que se trata aqui? Do fato de que o espetáculo eleva a vidência e evidência a valor de culto, de tal forma que toda a economia libidinal é drenada para a produção de imagens, especialmente as de si mesmo.
Imagem compreendida no sentido amplo, ou seja, signos que conferem a cada um de nós um referente completamente demarcado no mundo, de modo que se possa a reclamar a atenção de uma audiência socialmente instaurada, para aquele ponto preciso onde o que busca vidência / evidência se encontra.
Esse processo de produção vertiginosa de imagens e de transações entre os "capitais simbólicos" criados por cada qual, todos capturados pela maquinaria capitalista que verticaliza esse processo, gera uma forma nova de escravidão.
Não se trata apenas e somente de produzir, mas especialmente de produzir signos que são postos a circular por uma economia de plataformas que, em caráter social, distribuem essa produção simbólica, extraindo e organizando o partilhamento da mais-valia.
Para resistir a essa configuração da economia libidinal do tardo-capitalismo, é preciso pensar um outro regime de produção de signos, que não se deixe mediar pelo capital, seja na qualidade de produção desejante, seja em termos de um signo produzido a distribuir.
Nesse contexto, esse site é uma pequena pedra construtiva de uma economia política da invisibilidade, que se ocupa de traçar linhas de fuga da captura imposta pelo capital. Trata-se, no essencial, de povoar as sombras, de contaminar os corpos, de fazer proliferar uma microbiologia sobre os alicerces do capital.
Entenda-se aqui a invisibilidade como uma astúcia política e não como um fundamentalismo de qualquer ordem. A questão é ocupar de forma molecular os espaços digitais existentes, sempre com o mínimo de massa corporal.
Trata-se, de certa maneira, de um devir vírus, que carrega em si um quase nada de extrato, mas que é suficiente para funcionar eficazmente sem ser visível.
Isso, pelo menos, até que a infecção sabote a imunização sanitária do regime de dominação.